quarta-feira, 10 de março de 2010

Confusões e Retaliação : Caso do Algodão Brasil-EUA

Na segunda-feira fui entrevistado pelo Canal Rural sobre a retaliação brasileira (antes que alguém diga que é um canal sem audiência, lembro que este canal tem forte penetração em um público seleto que atua em um setor chamado agricultura, por isso o nome “Rural”. Não é difícil, nem mesmo para algum bocó, deduzir quem produz algodão), autorizada pela OMC, ao EUA em virtude dos subsídios ao algodão.

Por todo o lado vejo pessoas comemorarem a retaliação. Alguns dizem: “-isso mesmo, temos que usar isso... esse direito dado pela OMC”; “-a retaliação demonstra respeito à OMC” etc.

O litígio, que dura mais de oito anos, envolvia (pois agora envolve vários setores da economia) produtores de algodão brasileiros e os subsídios concedido pelo governo americano para seus produtores. De forma inovadora a OMC permitiu o que chama de retaliação cruzada, onde o governo do país prejudica pode “punir” o outro em outros mercados que não o do litígio em si.

Muitos dos argumentos que tenho lido misturam duas coisas distintas: primeiro, o fato do direito de retaliação ter sido uma vitória; e, segundo, a retaliação escolhida pelo governo brasileiro.

O direito de retaliação em si foi sem dúvida uma vitória; a forma como o governo brasileiro o utilizou acabou por transformá-lo em uma derrota. Aí alguém indaga “-mas como!? Você só pode ser pró-império! Seu porco neoliberal capitalista vendido comedor de criancinha!”

É isso mesmo! A forma como a retaliação foi executa é ruim!, e isso não deve ser confundido com a vitória que a decisão da OMC representa.

Me explico:

O direito de retaliação abre a possibilidade de pressão sobre o EUA para que o problema seja resolvido. Como muitos já notaram, o valor da retaliação em si é bastante pequeno, seja para economia brasileira ou, mais ainda, para a economia americana. Nesse sentido, para que a retaliação fosse útil, a pauta deveria ter sido pensada estrategicamente e respeitar a dinâmica de poder existente no Congresso Americano (é lá onde o jogo é importante).

A retaliação cruzada não deveria pulverizar os produtos em vários setores, mas sim concentrar-se em um pequeno grupo de produtos, que afetassem de maneira relevante os interesses de algum grupo de poder importante dentro da lógica política que vigora no Congresso Americano. Dessa forma, poríamos esperar que o grupo prejudicado agisse com o objetivo de equilibrar o jogo de pressão que é realizado pelo, muito bem organizado e representado, setor agrícola americano. Sem isso, a retaliação é apenas retórica vazia.

Como a pauta não foi pensada estrategicamente, ela prevê retaliações que vão da sobre taxação dos óculos de sol ao paracetamol, sendo que os responsáveis pela proposta não têm a menor idéia de qual será o impacto dessas medidas sobre o mercado interno. Os propositores ACHAM que os impactos não serão graves, como sempre erram quando têm certeza, imagino o ocorrerá agora que eles acham.

Apenas para ilustrar a inutilidade prática da pauta como instrumento de pressão, a alíquota de importação do algodão subiu de 8% para 100%, o que inviabilizaria a importação de algodão do EUA para o Brasil. Porém, Brasil e EUA são exportadores de algodão e o Brasil não importa algodão do EUA. Ou seja, grande medida!

O presidente da associação dos produtores acredita que a ameaça de quebra de patentes poderia acionar o lobby da indústria farmacêutica. Vê-se que ele, inicialmente, tem uma lógica semelhante a minha, porém tal quebra dificilmente será operacionalizada. Quem estaria disposto a investir em tecnologias caras, que seriam necessárias para a produção dos medicamentos cujas patentes fossem quebradas, visto que assim que algum acordo for feito as patentes seriam restauradas e todo capital investido jogado fora?

Minha conclusão é simples: a possibilidade de retaliação foi uma vitória e deve ser comemorada, a maneira como o governo a utilizou não!

Lembro ainda que o governo que utilizou tal direito de forma tão rápida e ampla e defende abertamente que esta é a única medida que fará o EUA sentar-se na mesa de negociações, é o mesmo que, quando o assunto é programa nuclear iraniano ou presos políticos cubanos, afirma serem medidas semelhantes vazias e inócuas no processo de negociação internacional.

Por fim, tenho duas propostas de retaliação. Como já disse, o governo deveria ter feito uma retaliação que concentrasse seus efeitos sobre algum grupo poderoso de pressão no Congresso Americano. Deveria também, isso eu não falei ainda, buscar uma lógica de ação que não produzisse, ou ao menos reduzisse drasticamente, risco de impacto negativo na vida do brasileiro. Por essas razões:

1) Setor Bélico: excluiria empresas americanas de todas as licitações ou ações de compra de matéria bélico realizadas pelo Brasil, seja para polícias ou Forças Armadas. Aí sim um grupo de pressão muito importante seria afetado e o pão nosso de cada dia não pagaria o pato.

2) Minha predileta: baixar a tributação de produtos fabricados em concorrentes diretos dos EUA, sendo tais reduções focadas em setores relevantes (como o automobilístico). O efeito sobre a venda de produtos “Made in USA”, ou cujas royalties são USA, seria o mesmo do aumento, mas nesse caso o consumir brasileiro não seria prejudicado.

É claro que minha primeira opção, neste caso, para o Irã minha postura é outro, seria tentar efetivamente a negociação.

Abs

José Carneiro


segunda-feira, 8 de março de 2010

Governo Brasileiro Retalia EUA Punindo o Consumidor Brasileiro

É realmente genial! Um viva aos gênios do Itamaraty e ao iluminado Marco Aurélio Garcia.

Até REMÉDIO está na lista!: paracetamol.

Detalhe, o Itamaraty ACHA que as medidas não devem gerar desabastecimento. Me pergunto: se sempre que eles têm certeza eles erram, o que devemos esperar de quando eles acham?

“A secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, disse nesta segunda-feira (8) que a retaliação autorizada pela Organização Mundialo de Comércio (OMC) aos Estados Unidos não vai gerar desabastecimento no mercado brasileiro.”

Do link: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1520120-9356,00-RETALIACAO+AOS+EUA+NAO+VAI+GERAR+DESABASTECIMENTO+DIZ+GOVERNO.html

Abs

José Carneiro

CURRÍCULO ESCOLAR, MANIPULAÇÃO, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

O Simon Schwartzman, Simon’s Site, publicou hoje em seu blog um post criticando a qualidade do currículo de sociologia para o ensino médio no Rio de Janeiro. Veja abaixo.

Numa primeira avaliação pode parecer que não seja um problema tão complexo, mas se pensarmos no papel da educação no processo de desenvolvimento talvez olhemos para uma outra dimensão e ai uma manipulação, esse é o único nome possível, curricular ganha seu peso real.

O ensino básico, pré escolar/fundamental/médio convencional/médio técnico, é o somatório de conhecimentos e habilidades sobre as quais repousa toda a possibilidade da educação fazer a diferença num mundo onde o conhecimento passa a ser o núcleo dinâmico dos processos de crescimento e dá forma a uma nova estratégia de desenvolvimento.

Com efeito não adianta implantar a estrutura, tipo ensino integral, se não houver uma clara noção de que é o conteúdo curricular, embora não seja apenas ele, que formará ou não indivíduos capazes de ir ao mercado, obter resultados e produzir o que se chama crescimento econômico e social, melhor qualidade de vida, elementos que vão desaguar no desenvolvimento . O ensino de horário integral, desprovido do conteúdo curricular virá apenas mais uma forma de assistencialismo. Mais uma vez ou existe um todo coerente chamado educação ou não temos nada.

A partição federativa, colocando nas mãos de prefeituras o ensino pré-escolar e fundamental, numa federação onde o ente municipal é frágil e desarticulado em noventa por cento dos municípios não ajuda em nada. 
Da mesma forma o ensino médio nas mãos dos estados. A formalidade constitucional, a suposta autonomização e regionalização do ensino, transformam-se no mundo real em irresponsabilidade e falta de compromisso. 
Não tanto da parte dos trabalhadores do ensino, embora eles também devam assumir essa culpa, mas por parte de toda a sociedade que olha para tudo isso como uma questão de “especialidade” e não se pergunta o mais simples: É isso mesmo o que queremos para os nossos jovens?

Houve uma época onde a função do ensino incomodava a todos. Foi um momento de brilhantes educadores como Anísio Teixeira ou Darcy Ribeiro. Os próprios estudantes e suas entidades representativas se movimentavam e questionavam. Parece que esse momento passou. 
Hoje o máximo que esse debate alcança é a “democratização” do acesso ao ensino superior num país onde as universidades particulares oferecem a esmagadora maioria das vagas. 
Parecem não se dar conta de que a qualidade do conhecimento de quem acessa o sistema também é parte da equação. Mas tudo bem, desde que “negros, índios, pobres etc...” acessem o sistema a democracia está salva. Se por falta de formação básica na outra ponta sair um sub-acadêmico, incapaz de chegar ao mercado de trabalho, tudo bem, não é problema de ninguém.

Nesse quadro a ideologização do ensino, como o que se faz nessa manipulação curricular no mais puro estilo bolivariano não ajuda nada.
Demetrio Carneiro

O currículo de sociologia para o ensino médio no Rio de Janeiro

Acabo de ver a lamentavel proposta curricular para o programa de sociologia para o nível médio do Rio de Janeiro. É um conjunto desastroso de idéias gerais, palavras de ordem e ideologias mal disfarçadas que confirmam as piores apreensões dos que, como eu, sempre temeram esta inclusão obrigatória da sociologia no curriculo escolar.

É difícil saber por onde começar a crítica. Faltam coisas essenciais como familia e parentesco, educação, socialização, estratificação social, mobilidade, criminalidade, religião, burocracias, modernidade, opinião pública, instituições. Na parte de “sociedade democrática”, nao há nada sobre instituições políticas, sistemas políticos comparados, participação politica, sistemas eleitorais, partidos políticos, populismo, fascismo. Nao há nada mais conceitual sobre teoria sociológica, suas correntes, etc. Nao há sequer algo sobre direitos civis, sociais e humanos.

domingo, 7 de março de 2010

FHC: A HORA É AGORA!

Coincidentemente ontem eu comentava a estratégia de campanha do PSDB e de Serra. Questionava pela  oportunidade e qualidade do debate.

Agora, e abaixo, a íntegra de um texto de FHC, publicado hoje no Blog do Noblat. Lúcido, como sempre, o ex-presidente vai alinhavando as lógicas e mostra o nexo.

Entre diversos temas:

Esclarece que o Estado deve ser resultado de um projeto e não uma definição à priori. Fala em governança coerente e democrática, criticando o aparelhamento do Estado pelos grupos de poder dominante.

Cita elementos que vamos sempre mencionando como o fato de que as políticas sociais datam da decisão do povo brasileiro via sua Constituição, que, sempre insisto, o PT não quis assinar.

Situa como prioritária a reforma política.

Mantendo o bom senso encerra:
“Tudo isso e muito mais está à espera de um debate político maduro, que à falta de ser conduzido por quem devia fazê-lo, por ter responsabilidades de mando nacional, deve ser feito pela sociedade e pelos partidos.”

Demetrio Carneiro


FHC: A HORA É AGORA

É hora de avançar a partir do que conseguimos nestes 25 anos de democracia e de buscar um futuro melhor para todos. As bases para o Brasil preservar seus interesses sem temer o mercado internacional estão dadas. Convém mantê-las.
Controle da inflação, pelo sistema de metas, câmbio flutuante, Lei de Responsabilidade Fiscal, autonomia das agências regulatórias são pilares que podem se ajustar às conjunturas, mas não devem ser renegados, e não podem estar sujeitos a intervenções político-partidárias e interesses de facção.
Há, contudo, desafios: o novo governo terá de cuidar de controlar os gastos correntes e de conter a deterioração da balança de pagamentos (sem fechar a economia ou inventar mágicas para aumentar artificialmente a competitividade de nossos produtos).
Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas ou vice-versa.
Ninguém propõe um "Estado mínimo", nem muito menos o PSDB. Outra coisa é inchar o Estado, com nomeações a granel, e utilizar as empresas públicas para servir a interesses privados ou partidários. A verdadeira ameaça ao desenvolvimento sadio não é privatizar mais, tampouco o PSDB defende isto.
Empresas estatais se justificam em áreas para as quais haja desinteresse do capital privado ou necessidade de contrapeso público. Não devem acobertar ganhos políticos escusos nem aumentar o controle partidário sobre a economia.
Precisam dispor de sistemas de governança claros e transparentes. A ameaça é continuar a escolher, como o governo atual, quais empresas serão apoiadas com dinheiro do contribuinte (sem que este perceba), criando monopólios, ou quase monopólios, que concentrarão mais ainda a renda nacional.
Os avanços sociais obtidos pelos últimos governos se deram nos marcos da Constituição de 1988.
Incluem-se aí a "universalização" do acesso aos serviços de saúde (via SUS) e à escola fundamental (via Fundef), a cobertura assistencial a idosos e deficientes (via Loas), bem como o maior acesso à terra (via programa de reforma agrária).
Além disso, a política continuada de aumento real do salário mínimo a partir de 1994, a extensão de programas sociais a camadas excluídas e a difusão de mecanismos de transferência direta de renda (as bolsas) melhoraram as condições de vida e ampliaram o mercado interno.
Tudo isso precisa ser mantido. Caberá ao novo governo reduzir os desperdícios e oferecer serviços de melhor qualidade, mais bem avaliados e com menor clientelismo.
Não se pode elidir uma questão difícil: a expansão dos impostos sustentou os programas sociais. Atingiu-se um limite que, se ultrapassado, prejudicará o crescimento econômico.
É ilusão pensar que um país possa crescer indefinidamente puxado pelo gasto público financiado por uma carga tributária cada vez maior e pelo consumo privado.
Falta investimento, sobretudo em infraestrutura, e falta poupança doméstica, principalmente pública, para financiá-lo. Maior poupança pública não virá de maior tributação.
Ao contrário, é preciso começar a reduzir a carga tributária, sobretudo os impostos que recaem sobre a folha de pagamentos, para gerar mais empregos.
Para investir mais, tributar menos e dispor de melhor oferta de serviços sociais, não há alternativa senão conter o mau crescimento do gasto. Isso permitirá a redução das taxas de juros e o aumento da poupança pública, como condição para aumentar a taxa de investimento na economia.
Sem isso, cedo ou tarde, se recolocarão os impasses no balanço de pagamentos, com a deterioração já perceptível das contas em transações correntes, e na dívida pública, que em termos brutos já ultrapassa 70% do PIB.
Nem só de economia e políticas sociais vive uma nação. Os escândalos de corrupção continuam desde o mensalão do PT. Há responsabilidades pessoais e políticas a serem cobradas e condenadas.
Mas há também desvios institucionais: o sistema eleitoral e partidário está visivelmente desmoralizado. Uma reforma nesta área se impõe. Ela se dará mais facilmente no início do próximo governo e se houver um mínimo de convergência entre as grandes correntes políticas. O PSDB deve liderar esse debate na busca de consenso.
O mesmo se diga da segurança pública. Há avanços no plano federal e em vários estados. A expansão da criminalidade advém do crime organizado e do uso das drogas.
O dia a dia das pessoas é de medo. As famílias e as pessoas precisam de nossa coragem para propor modos mais eficientes de enfrentar o tema. A despeito da melhoria do sistema jurisdicional e prisional, estamos longe de oferecer segurança jurídica às empresas e, o que mais conta, às pessoas.
Olhando o futuro, falta estratégia e sobram dúvidas: o que faremos no campo da energia? Onde foi parar o programa do biodiesel? Que faremos com os êxitos que nossos agricultores e técnicos conseguiram com o etanol? Que políticas adotar para torná-lo comercializável globalmente?
A discussão sobre as jazidas de petróleo se restringirá à partilha de lucros futuros ou cuidaremos do essencial: a base institucional para lidar com o pré-sal, a busca de tecnologias adequadas e de uma política equilibrada de exploração? E a "revolução educacional", que, com as honrosas exceções em um ou outro estado, é apenas objeto de reverência, mas não de ação concreta?
Finalmente: que papel desempenharemos no mundo, o de uma sub-potência bélica ou a de um país portador de uma cultura de convivência entre as diferentes raças e culturas, com tolerância e paz, embora cioso de sua segurança?
Tudo isso e muito mais está à espera de um debate político maduro, que à falta de ser conduzido por quem devia fazê-lo, por ter responsabilidades de mando nacional, deve ser feito pela sociedade e pelos partidos.


AHMADINEJAD, O AMIGO DO BRASIL, DENUNCIA COMPLÔ IMPERIALISTA

A campanha brasileira para projetar nossa imagem no exterior vai de vento em popa.

Preferindo ignorar a posse de um presidente eleito democraticamente, num país em situação de emergência, aqui na América Latina, nosso ilustre personagem/presidente logo estará nos braços de seu não menos ilustre amigo o arqui-democrata iraniano Ahmadinejad.
O mesmo que fraudou as eleições. Ele mesmo. Aquele da bomba atômica sobre Israel. Também é aquele que garante que o holocausto é mentira.
Agora decidiu que o ataque terrorista de 11 de setembro é uma farsa americana para justificar a invasão do Iraque. Talvez tipo aquela que diz que a NASA forjou as imagens dos americanos na Lua. Talvez os prédios nunca tenham desabado ou talvez tenha sido a CIA que jogou os aviões sobre os prédios. Ou talvez três mil pessoas tenham se suicidado para dar mais força à mentira.
O personagem/presidente do Irã é muito parecido com o personagem/presidente brasileiro. Parece gostar de frases de efeito.

Tudo bem. Cada um tem o amigo que merece. Só que o nosso personagem/presidente está confundindo sua evidente inclinação para ditadores e ditaduras com a vontade do povo brasileiro.

Questão: A participação de Lula e do PT na luta contra a ditadura foi uma luta pela democracia ou apenas uma “política de resultados”?

Demetrio Carneiro

Ahmadinejad chama ataque de 11 de setembro de "grande invenção"

Teerã (Reuters) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, chamou neste sábado os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos de "grande invenção", que foi usada para justificar a guerra dos EUA contra o terrorismo, informou a agência oficial IRNA

sábado, 6 de março de 2010

MISTÉRIO SEMPRE HÁ DE PINTAR POR AI...

Não conheço os componentes dessa misteriosa entidade “economistas próximos ao Serra”, mas se tudo que eles têm a oferecer é uma retirada estratégica do debate monetário para não balançar essa outra entidade chamada “mercado” e colocam no lugar o tal do debate fiscal ou se isto é uma estratégia do PSDB, é melhor repensar as estratégias de campanha.

Algumas semanas atrás eu comentava que o debate por partes só interessa ao PT. Lula, Dilma, PT e toda a sua base aliada, nenhum deles tem sequer vislumbre de um projeto de desenvolvimento que não seja essa coisa arcaica que já está ai.
O congresso do PT mostrou exatamente qual é a cabeça deles. A nota sobre o “golpe da direita” consolida o que são as propostas petistas: Nada. Fora do feijão com arroz eles se perdem e não apreenderam nada com a crise, como também não saberão aproveitar as oportunidades que se abrem.

Ao contrário, essa seria justamente a hora de ir para cima.

Demetrio Carneiro


De olho no mercado, PSDB foca questão fiscal

Os tucanos pretendem tirar de pauta a discussão sobre eventuais alterações na condução da política monetária, deixando como foco o debate em torno da questão fiscal. A ideia é evitar que ruídos alimentem o temor em parte do mercado financeiro de que, em caso de vitória do governador de São Paulo, José Serra, haverá mudanças na política macroeconômica.

Nomes do PSDB ligados à área econômica defendem, de fato, alterações na política monetária, por meio de uma atuação mais forte do Banco Central. Os principais alvos são a alta taxa de juros e o câmbio valorizado, que já foram dezenas de vezes criticados pelo próprio governador. É praticamente consenso entre tucanos ligados a Serra de que deve haver ação mais incisiva do BC para brecar a valorização excessiva do real. Isso não significa, argumentam, diminuição da autonomia do órgão. Tampouco passa pela criação de mecanismos de controle de capital, o que causa arrepios no mercado.

A defesa do tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário) é explícita. Mas a avaliação de economistas próximos ao governador é de que o BC deve usar mecanismos de que dispõe de forma mais contundente. Um exemplo ouvido foi a atuação do BC no mercado para comprar dólar. Avalia-se que deveria ser feita de modo menos sistemático a fim de evitar "consensos absolutos sobre o câmbio".

É justamente a defesa de uma atuação mais voluntária que desperta incerteza. Para o mercado, isso pode significar algo mais, como diminuição dos juros por canetada ou restrição da autonomia do BC - já é lugar comum ouvir de operadores do mercado comentários de que Serra será "ministro da Fazenda e presidente do Banco Central dele mesmo".

A direção do partido tem orientado seus quadros a não fazer comentários sobre esses tópicos. Quer fixar o debate em torno da "herança maldita" do PT - leia-se o déficit em conta corrente. O objetivo é discutir a qualidade dos gastos, relacionando os "baixos investimentos do governo federal ao crescimento dos gastos correntes". Tucanos alegam que a questão juro-câmbio é demanda do empresariado. Na semana passada, Serra reuniu-se com executivos para ouvir e falar sobre a conjuntura econômica. A discussão é delicada. Parte do eleitorado vê o câmbio valorizado como sinônimo de preços baixos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

SÃO DEMAIS OS PERIGOS DA DEMOCRACIA

A Direção Nacional do PT, aquele partido da esquerda democrática brasileira, completamente linkado com as mais modernas práticas representativas e participativas, máximo apoiador da liberdade de atuação dos movimentos sociais, líder do combate à miséria, representante de toda a massa trabalhadora, grande referência dos regimes democráticos cubano, iraniano e venezuelano, orientador máximo das decisões do povo hondurenho.
Enfim, o partido da ética e da integridade política alerta à sua militância e, certamente, à nação e ao mundo de que a “direita” pretende dar um golpe de Estado no Brasil: Ganhar as eleições. E pior, no voto!
Pelo que apuramos já tem militante petista pensando em pedir asilo político na embaixada da Al Qaeda.
Demetrio Carneiro


PT CONDENA GOLPISMO DA DIREITA E CONVOCA MILITÂNCIA


Trechos da resolução política aprovada ontem pelo Diretório Nacional do PT reunido em Brasília:
(...) Apesar das divisões internas no campo adversário e a despeito do mar de corrupção e incompetência administrativa, como no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, as forças do atraso começam a se reorganizar a partir da definição do nome que irá representá-las.
Adotam, desde já, um discurso de radicalização política e social contra as conquistas do Governo Lula e a pré-candidatura Dilma. Registrem-se as iniciativas adotadas contra o PNDH-3 e a Confecom, a instalação da CPI do MST e a criminalização dos movimentos sociais, entre outras.
Os ataques feitos contra o PT, nossas Diretrizes de Programa de Governo e nossa pré-candidata não são novidades. Nos anos 80 e 90, nas eleições de 2002 e 2006, e ao longo dos quase oito anos de Governo Lula, as forças de direita e neoliberais agiram da mesma forma.
Mas a História do Brasil e a experiência do povo brasileiro demonstram e confirmam: a direita neoliberal não tem compromisso algum com a soberania nacional, com o estado democrático, com a igualdade social, nem com a verdade dos fatos.
Hoje, frente à derrota que sofrerão nos próximos anos, já alimentam um discurso golpista. Se em 2002 essa campanha causou graves prejuízos à economia nacional, nossos oito anos de governo demonstram que ser de esquerda implica a defesa de um Estado que atenda aos objetivos de indução do desenvolvimento, de distribuição de renda e de riqueza e de aprofundamento das conquistas democráticas acumuladas pela sociedade brasileira.
A reeleição do presidente Lula, em 2006, sacramentou a idéia de que existe um limite entre “opinião pública” e “opinião publicada”. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Não podemos nos acomodar com o cenário momentaneamente positivo.
Ao contrário, este é momento de a militância petista sair para as ruas e intensificar suas ações para reeleger nosso projeto de país.

QUESTÃO DE MODELO

Nota: Era para ter postado na semana passada. Na corrida das viajens acabei deixando de lado, mas acho que o assunto é edificante e mostra as raízes reais de um assunto que aparentemente é só ideologia.

QUESTÃO DE MODELO

Fundado numa política externa de generosa colaboração com países em desenvolvimento bem mais pobres o governo brasileiro se prontificou a construir uma hidroelétrica no Haiti.
A um razoável custo de 150 milhões de dólares. Financiado pelo nosso conhecido BNDES o projeto seria exclusivamente realizado por empresas nacionais: OAS, Odebrecht e Gutuierrez. Todas também muito bem conhecidas de todos nós.
Ser um país sujeito a terremotos de grande intensidade parece não ter muito importância na construção de hidroelétricas, nem deve afetar muito o seu custo de construção. Detalhes, pelo visto.

Como outra opção o governo do Haiti pode construir usinas termoelétricas que utilizem biomassa. Claro as brasileiras, coisa de primeiro mundo, usam óleo diesel. Bagaço de cana de açúcar e capim, coisas raras aqui no Brasil.
Segundo informa o Estadão o governo do Haiti já contratou um empréstimo de 27 milhões de dólares no Banco Interamericano de Desenvolvimento para uma primeira usina. Pode realizar licitação internacional aberta a qualquer empresa e a pequena usina terá capacidade para abastecer uma cidade de 100 mil pessoas, empregando cerca de 500 famílias na produção de biomassa. Como podem ser construídas próximo ao local de destino final de consumo, além de “verdes” também economizam as redes de transmissão.

As autoridades brasileiras, no caso o Exército, responsável pelos trabalhos iniciais, estão começando a ficar irritadas com a demora no fechamento da operação de construção da hidroelétrica. Povo ladino esses haitianos.

Demetrio Carneiro